O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde em fevereiro, chegando a 49,9%, segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil nesta segunda-feira (27). O índice representa o maior patamar já registrado na série histórica do órgão.
As informações fazem parte do Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito e revelam um cenário de crescente pressão sobre o orçamento das famílias no país.
Renda mais comprometida
Além do aumento no nível de endividamento, o levantamento também aponta que o comprometimento da renda das pessoas físicas subiu para 29,7% em fevereiro. O número representa uma alta de 0,2 ponto percentual no mês e 1,9 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.
Desse total:
- 10,63% da renda das famílias é destinado ao pagamento de juros
- Cerca de 19% é utilizado para quitar o valor principal das dívidas
Os dados indicam que uma parcela significativa da renda mensal está sendo consumida por obrigações financeiras, o que reduz o poder de consumo e aumenta o risco de inadimplência.
Cartão de crédito é principal vilão
Entre os principais fatores que impulsionam o endividamento está o uso do crédito rotativo do cartão, considerado uma das modalidades mais caras do mercado.
Em março, a taxa de juros dessa linha atingiu 428,3% ao ano. Mesmo com o custo elevado, o volume de crédito concedido nessa modalidade somou R$ 109,7 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026 — um aumento de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025.
O crescimento reforça a dependência de muitas famílias desse tipo de crédito, frequentemente utilizado em situações de emergência ou falta de planejamento financeiro.
Governo prepara novas medidas
O avanço do endividamento está no radar do governo federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula um novo pacote de medidas para conter o problema.
Entre as propostas em estudo está o Desenrola 2.0, uma nova versão do programa de renegociação de dívidas. A iniciativa deve permitir que cidadãos utilizem recursos do FGTS para quitar débitos e recuperar o acesso ao crédito.
Além disso, o programa pode incluir mecanismos para restringir o acesso a linhas de crédito mais caras, como o rotativo do cartão, exigindo maior responsabilidade financeira dos beneficiários.
Cenário exige atenção
O recorde no endividamento das famílias brasileiras evidencia um momento de atenção na economia. Com maior parte da renda comprometida, cresce o desafio de equilibrar as finanças e evitar o agravamento da inadimplência.
Especialistas reforçam a importância de planejamento financeiro, controle de gastos e uso consciente do crédito como medidas essenciais para enfrentar o cenário atual.












