Adolescente boliviana de 16 anos morre após 25 dias de luta contra queimaduras provocadas em tentativa de feminicídio

Adolescente boliviana de 16 anos morre após 25 dias de luta contra queimaduras provocadas em tentativa de feminicídio

A adolescente G.A.P., de 16 anos, morreu nesta quinta-feira (30), após 25 dias internada em tratamento contra graves queimaduras provocadas em uma brutal tentativa de feminicídio ocorrida na cidade de Cobija, capital do Departamento de Pando, na Bolívia. A jovem estava internada no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte (MG), referência nacional no tratamento de pacientes queimados.

Mãe de um bebê de apenas dois meses, a adolescente teve 95% do corpo queimado depois de ser atacada na madrugada do dia 5 de julho. De acordo com as investigações das autoridades bolivianas, ela foi banhada com gasolina e incendiada pelo namorado, um adolescente de 17 anos, após uma discussão.

O suspeito foi apreendido e o Ministério Público da Bolívia solicitou a aplicação da pena máxima prevista para o caso, que é tratado como tentativa de feminicídio.

Transferência para o Brasil

Após receber os primeiros atendimentos no Hospital Roberto Galindo Terán, em Cobija, a jovem foi transferida no dia 7 de julho para o Pronto-Socorro de Rio Branco, devido à gravidade dos ferimentos e à ausência de estrutura especializada na cidade boliviana.

Posteriormente, com apoio do Instituto Inova, de Rio Branco, ela foi encaminhada para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde iniciou tratamento intensivo. A expectativa da equipe médica era de que a adolescente permanecesse internada por cerca de dois meses.

Durante todo o período de internação, a mãe da vítima, Olivia Puro, permaneceu ao lado da filha, contando com o apoio de uma instituição parceira para sua permanência na capital mineira.

Caso causou comoção na fronteira

O exame médico-legal realizado ainda na Bolívia confirmou que as queimaduras atingiram 95% da superfície corporal da adolescente, evidenciando a extrema gravidade do quadro.

A morte da jovem gerou forte comoção tanto em Cobija quanto nas cidades acreanas da região de fronteira, onde o caso mobilizou autoridades, profissionais da saúde e a população.

As investigações seguem sob responsabilidade das autoridades bolivianas, que trabalham para responsabilizar o autor do crime.