Síndromes respiratórias causam 43 mortes no Acre em 2026; óbitos de crianças menores de 2 anos atingem maior patamar dos últimos três anos
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) já provocaram 43 mortes no Acre entre janeiro e maio de 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre). Embora a taxa de letalidade tenha apresentado queda em relação aos anos anteriores, o boletim epidemiológico acende um alerta para uma mudança significativa no perfil das vítimas fatais: o aumento expressivo das mortes entre crianças menores de 2 anos.
De acordo com o levantamento, 10 crianças com menos de dois anos morreram em decorrência de complicações respiratórias neste ano. O número representa mais que o dobro dos registros de 2025, quando foram contabilizados quatro óbitos, e é cinco vezes maior que o observado em 2024, que registrou duas mortes nessa faixa etária.
Segundo a Sesacre, o aumento está diretamente relacionado à maior circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), considerado atualmente um dos principais agentes causadores de internações entre crianças pequenas.
Crianças representam quase metade das mortes
Os dados mostram que a população infantil passou a concentrar uma parcela significativa dos óbitos registrados em 2026.
Mortes por faixa etária:
- Menores de 2 anos: 10 mortes
- De 2 a 4 anos: 4 mortes
- De 5 a 9 anos: 7 mortes
Ao todo, foram registradas 21 mortes entre crianças de 0 a 9 anos, número que representa quase metade de todos os óbitos por SRAG contabilizados no estado neste ano.
O cenário difere dos anos anteriores, quando os idosos concentravam a maior parte das mortes relacionadas às síndromes respiratórias.
Mortes entre idosos caem quase 65%
Enquanto os óbitos infantis cresceram, a mortalidade entre idosos apresentou redução expressiva nos últimos anos.
- 2024: 58 mortes
- 2025: 37 mortes
- 2026: 13 mortes
A Sesacre atribui essa diminuição principalmente à redução da circulação do SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19, que teve forte impacto sobre a população idosa durante os períodos mais críticos da pandemia.
Letalidade diminui, mas internações aumentam
Apesar do crescimento no número de internações por SRAG em 2026, a taxa de letalidade caiu para 2,99%.
De acordo com a análise técnica da Secretaria de Saúde, a redução ocorre porque os principais vírus em circulação atualmente, especialmente o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e o Rinovírus, apresentam elevada capacidade de transmissão e provocam grande número de hospitalizações, mas possuem menor potencial de mortalidade quando comparados ao coronavírus.
Mudança no perfil epidemiológico preocupa autoridades
A Sesacre destaca que a combinação entre o aumento da circulação do VSR e do Rinovírus e a redução dos casos graves de Covid-19 alterou significativamente o perfil epidemiológico das síndromes respiratórias no Acre.
Enquanto nos anos anteriores os idosos figuravam entre as principais vítimas fatais, em 2026 o impacto mais preocupante tem sido observado entre crianças pequenas, especialmente menores de dois anos, grupo considerado mais vulnerável às complicações causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório.
Diante do cenário, a Secretaria de Saúde reforça a importância da vacinação, da adoção de medidas preventivas e da busca por atendimento médico diante dos primeiros sinais de agravamento dos sintomas respiratórios, principalmente entre crianças e idosos.
Fonte: Sesacre
Redação: A Fronteira em Foco
