Primo de Chico Mendes aposta no cultivo de café para fortalecer a renda familiar e preservar a floresta em Xapuri

Primo de Chico Mendes aposta no cultivo de café para fortalecer a renda familiar e preservar a floresta em Xapuri

Raimundo Mendes de Barros, conhecido como Raimundão, investe na cafeicultura como alternativa sustentável ao desmatamento e mantém vivo o legado da produção aliada à conservação da Amazônia.

Em meio à floresta de Xapuri, no interior do Acre, um antigo sonho começa a se transformar em realidade. Primo do líder seringueiro Chico Mendes, Raimundo Mendes de Barros, o Raimundão, encontrou no cultivo do café uma alternativa para gerar renda à família sem abrir mão da preservação da floresta.

Extrativista e defensor da produção sustentável, Raimundão acredita que a cafeicultura pode representar um novo caminho para as famílias da região, conciliando desenvolvimento econômico, conservação ambiental e valorização da agricultura familiar.

Segundo ele, o projeto nasceu de um desejo antigo e foi construído com muito trabalho, persistência e dedicação.

“Hoje eu caminho no meio de um sonho que muita gente achava difícil de acontecer. O café sempre foi uma vontade antiga, uma luta feita de insistência, cuidado e amor pela terra.”

Com os primeiros pés de café já em desenvolvimento e a produção começando a dar resultados, Raimundão comemora cada etapa da lavoura, que considera uma conquista coletiva.

“Cada pé que cresce aqui carrega um pouco dessa história, de quem acreditou, mesmo quando diziam que não dava certo. Agora, ver os grãos amadurecendo, a florada chegando e a produção começando a nascer é uma alegria que não cabe só em mim. É da nossa família, da nossa comunidade e de todos que seguem acreditando na força da floresta.”

A iniciativa reforça uma das bandeiras defendidas por Chico Mendes: mostrar que é possível produzir, gerar renda e melhorar a qualidade de vida das famílias sem recorrer ao desmatamento.

Além de diversificar a produção nas propriedades rurais, o cultivo do café surge como uma alternativa promissora para fortalecer a economia local e incentivar novas gerações a permanecerem no campo, apostando em sistemas produtivos sustentáveis.

Com entusiasmo, Raimundão já sonha com o futuro da produção e deixa no ar uma pergunta carregada de esperança:

“O Café do Raimundão? Quem sabe…”

Mais do que um novo cultivo, a iniciativa representa a continuidade de um legado construído sobre o respeito à floresta, ao trabalho e às pessoas que vivem dela.